Decidi criar esse blog para compartilhar algumas experiências jurídicas do meu dia-a-dia. Sem a pretensão de ensinar ou orientar ninguém, quero apenas escrever para relaxar e ao mesmo tempo refletir sobre minhas próprias idéias...
Hoje começo falando do Programa de Mestrado que acabei de concluir na UNIFAP, com a apresentação de minha dissertação, no último dia 21 de maio. Foram dois anos e meio de dedicação que me renderam algumas rugas e olheiras a mais, ao mesmo tempo em que me acrescentarem à vida bons amigos e muitas momentos de estudo e amadurecimento. Nunca li tanto na vida como nesse período... aprendi a me disciplinar, a me preocupar mais com o que existe à minha volta e o mais importante: o QUANTO tenho ainda a aprender nesse complexo mundo em construção de que fazemos parte!
Por isso, essa iniciativa da UNIFAP em proporcionar aos amapaenses, como eu, a possibilidade de cursar uma pós-graduação estrito senso em "DIREITO AMBIENTAL E POLÍTICAS PÚBLICAS" aqui mesmo, em nosso Estado, merece aplausos e reconhecimento. Primeiro porque a linha de pesquisa é oportuna e pontual, já que HOJE ainda ostentamos uma incrível diversidade de ecossistemas (florestas tropicais, cerrados, manguezais, restingas costeiras, lagoas e alagados de água doce e salgada e florestas de palmeiras), que se encontram em bom estado de preservação (mais de 73% do território do Amapá está coberto por áreas legalmente protegidas); segundo porque ainda temos muito a avançar no conhecimento e no estudo de todo esse patrimônio que abrigamos.
Nesse contexto, a UNIFAP e seus docentes admiravelmente persistentes e comprometidos com o papel que desempenham em nosso Estado (salvo raras exceções!) tem criado o espaço necessário para reflexão e discussão do nosso meio ambiente.
À propósito, quando falo em MEIO AMBIENTE, refiro-me à tudo aquilo que existe no Planeta: a flora, a fauna, o solo, as águas, o ar, a atmosfera, a sociedade humana, o patrimônio histórico, paisagístico, arqueológico e tudo o mais que contribui para que a Terra ainda seja uma enigmática aventura no Universo.
Essa idéia de MEIO AMBIENTE é importante, pois, ao contrário do que costumamos imaginar, o Direito Ambiental não tutela apenas os meios e recursos naturais. Suas preocupações superam esse limite, para abarcar, também, a cultura humana, que produz significativos reflexos resultantes da sua constante e contínua interação com tudo o que existe à sua volta, seja através da apropriação, dominação, transformação e reconstrução dos objetos.
Assim, acredito que, dentre todos os ramos do Direito, o Ambiental, talvez, seja aquele que mais desafiará a inteligência humana e seus condicionamentos em sociedade, seja pela complexidade das temáticas que envolve, seja pelas grandes apostas que nele fazemos para reconstrução do modo como a nossa sociedade vem se desenvolvendo ao longo dos séculos.
Repensar os nossos paradigmas de desenvolvimento (econômico, social, político, artístico etc.), nossa visão de mundo predominante (essencialmente antropocentrista) talvez seja a mais importante proposta não apenas do Direito Ambiental, mas de todas as ciências ambientais (biologia, geologia, física, química etc.).
Por isso, há quem diga que a "CRISE AMBIENTAL" que tanto discutimos hoje seja, na verdade, a própria "CRISE DO CONHECIMENTO", da "CIVILIZAÇÃO HUMANA", que certamente nos desafiará daqui em diante como nunca fomos desafiados antes: ou mudamos o nosso comportamento ou sucumbimos toda a espécie e o planeta que a abriga!
Discutir, pensar e agir em prol do ambiente, assim, é muito mais que formular e cumprir leis, normas, regulamentos e políticas de proteção ambiental. É, na verdade, repensarmo-nos como parte integrante e não apenas como senhor do ambiente em que vivemos!
Assim, só me resta parabenizar, mais um vez, a UNIFAP pelos Programas de Mestrado que vem construindo em nossa Estado (para maiores informações, acessar: www.unifap.br) e, especialmente, obrigada por ter contribuído nos meus primeiros passos na pesquisa ambiental.
É isso aí, pessoal, eis uma primeira experiência, não propriamente jurídica, mais, sim, de amadurecimento como ser humano que se permite continuar aprendendo...
Até mais!
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário